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Bem, primeiramente acho importante ressaltar que não vou abordar aqui questões médicas.

 

Requisitos para a cirurgia, valor do IMC, métodos utilizados, comorbidades, pós operatório, possíveis danos metabólicos, consequências do abandono do tratamento, produção de hormônios afetada, ocorrências de dumping.

Enfim… Isso não fará parte desse texto, sugiro que consultem um médico, preferencialmente de um gastroenterologista – médico responsável pela realização da cirurgia.Mas falarei dos aspectos psicológicos (comportamentais e emocionais) em três momentos da cirurgia: antes, pós cirúrgico – especificamente – e depois da cirurgia. Essa semana, dei uma entrevista para um programa de televisão juntamente com um médico referência na área. Ontem, atendi um paciente em consultório possível candidato a bariátrica. E hoje estou aqui falando dela pra vocês…

Mas falarei dos aspectos psicológicos (comportamentais e emocionais) em três momentos da cirurgia: antes, pós cirúrgico – especificamente – e depois da cirurgia. Essa semana, dei uma entrevista para um programa de televisão juntamente com um médico referência na área. Ontem, atendi um paciente em consultório possível candidato a bariátrica. E hoje estou aqui falando dela pra vocês…

Em linhas gerais, para quem não sabe, a cirurgia bariátrica consiste na remodelação do aparelho digestivo (estômago/intestino) com o intuito de, basicamente, reduzir a capacidade de ingestão de alimentos por esse paciente. O índice de massa corpórea (IMC) indicado para a realização da cirurgia é de 40 ou 35, com apresentação de comorbidades (esteatose hepática, hipertensão ou diabetes, por exemplo).

 

Antes da realização da cirurgia encontramos um indivíduo que quer/precisa emagrecer.

 

Por algum motivo, ele entende que estar acima do peso pode lhe gerar prejuízos – sejam emocionais ou físicos. E acredita que a cirurgia será a sua melhor opção, dada a praticidade oferecida e o pseudo pensamento mágico a que ela remete, como se fosse resolver todos os problemas da sua vida em um procedimento cirúrgico.

Acontece que, em muitos casos, a maioria dos pacientes ignora informações do pós cirúrgicos que podem ser importantes para sua adaptação. Raramente reconhece que terá que mudar seus hábitos, seus comportamentos, seus pensamentos, a fim de conseguir sustentar os resultados que a cirurgia pode vir a proporcionar.

O paciente candidato a cirurgia bariátrica necessariamente passa por uma avaliação psicológica que resultará em um laudo informando se ele está apto ou não a se submeter ao procedimento. Porém, poucos mantém o compromisso de continuar com o acompanhamento psicológico, a fim de identificar o que o levou ao ganho de peso e, por isso, tendem a abandonar o tratamento. O ideal é que o paciente pós operado passe por um acompanhamento de, no mínimo, 18 meses após a cirurgia. Geralmente, os pacientes operados interrompem o acompanhamento no sexto ou sétimo mês.

Acontece que, após alguns meses, esse paciente já emagreceu o que queria e, consequentemente, está com sua auto estima devidamente resgatada. Porém, ele não necessariamente mudou os pensamentos e comportamentos que tinha antes da cirurgia, o que o leva ao reganho de peso. O índice de reganho é de 20 a 35% em até cinco anos após o procedimento e de 65% em até 10 anos após.

O que não é cogitado pelo paciente é a compreensão de como ele chegou até a obesidade. Parece simples, ele comeu demais e não gastou o que comia! Mas se fosse tão simples, não existiria um índice tão alto dessa doença. A questão é identificar o que o levou ao comportamento de se alimentar com tanto desequilíbrio.

 

Na maioria dos casos de obesidade, encontramos a compulsão fazendo parte do quadro.

 

A compulsão possui uma raiz de ansiedade que se, não for tratada, não será controlada e muito menos curada. É comum vermos pacientes bariátricos que, após a sua cirurgia, trocam de compulsão: passam a comprar demais, viciam em jogos, se tornam alcoólatras ou até mesmo passam a fazer uso de drogas. É necessário investigar e tratar a causa da compulsão, não somente o sintoma isolado.

A propósito, a obesidade é classificada como doença nos manuais diagnósticos (CID E66). Mas podemos entender que, além de uma doença, a obesidade é um sintoma de um grande desequilíbrio interno: seja ele metabólico ou emocional. Ou até mesmo ambos, considerando que a obesidade é uma doença multifatorial.

 

Após a cirurgia é necessário mudar os hábitos para não voltar a estaca

 

Eu mesma, pessoalmente, já atendi em consultório e já recebi em meus cursos diversos pacientes bariátricos que passaram pelo reganho de peso. E somente após mudarem sua cabeça, sua relação com a comida e fazerem uma reeducação emocional, que conseguiram atingir e manter o peso desejado.

Eu não tenho dúvidas que a medicina está aí com uma série de avanços tecnológicos no tratamento e cura de algumas doenças. Mas operar o estômago enquanto o problema está na cabeça, nem sempre pode ser a melhor solução. Acredito que está mais do que na hora de o emagrecimento e entender que o processo precisa ser conduzido de dentro para fora!

 
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