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A receita do Dalai Lama é muito simples: cuidar da mente.

O processo inclui uma mudança comportamental, de hábitos, inclusive alimentares. De um modo geral, aquelas pessoas que se mantém ativas, cuidam da alimentação, mantém uma conexão espiritual, se interessam pela vida, buscam o próprio caminho, mesmo sem saber aonde chegar, podem criar seu processo de autocura e ter sucesso.

As que não se aceitam bem, por vontade própria ou por imposição do mental de outra pessoa, ou ainda por viver da programação de outras pessoas (pais, após, tios, chefes, cônjuges, líderes religiosos etc) precisam procurar ajuda externa.

É fundamental que se tenha conhecimento do próprio corpo para poder ser feita a leitura dos primeiros sinais dos estados mentais e corporais,. Por exemplo, raiva e medo provocam palidez e taquicardia. Vergonha leva ao enrubescimento. Um estado gripal desencadeia reações depressivas . Há uma estreita correlação entre os estados mentais e corporais e a sabedoria popular fala disso muito bem: "estou cagando de medo", "estou com o estômago embrulhado de tanto nojo", etc. O psiquiatra David E. Zimerman, autor do livro "Fundamentos Psicanalíticos", diz que o cliente que reúne em si um quadro psicossomático dificilmente procura um terapeuta por vontade própria.

Para quem não estiver familiarizado com a palavra "psicossomática", toda vez que uma pessoa vai a um médico com uma queixa e ele manda a pessoa fazer "uma bateria de exames" e tudo dá negativo, então aquela pessoa está adoecida e apresenta um quadro psicossomático, para o qual o destino certo é terapia. Terapeuta e médico podem e devem atuar juntos porque às vezes o quadro emocional apresenta lesões físicas e vice-versa.

Não se deve jamais esquecer que as doenças orgânicas interferem na estabilidade emocional e mental, principalmente pela capacidade de ressuscitar tudo o que está mal-resolvido.

Por exemplo, o fígado congestionado de raiva, má-alimentação, bebedeira, medicamentos desnecessários e drogas desencadeiam estados emocionais sérios. A psicanálise define vários estados psicossomáticos (corpo, mente e espírito), entre eles síndrome de pânico (dificuldade de enfrentar situações), angústia (desmaios, ameaça de enfarto, suspiros profundos, hipertensão etc), hipocondria (medo ou ameaça de morte imaginada), neuroses, dificuldade de auto-aceitação, histerismo (convertida na musculatura) etc.

Dentro de nós, tudo é interligado e os sensores mentais, físicos e espirituais tomam nota de cada gota de água ingerida. Nada passa desapercebido. O registro vai para o inconsciente. Como disciplinar e preencher a mente? Não há outro caminho para equilíbrio emocional fora do mergulho em si mesmo.

É um trabalho duro porque a memória emocional é única, individual e o acesso a essa chave é solitário. Não há nada que eu possa fazer pela minha mãe ou pelo meu filho a não ser apoiar e guiar em direção à ajuda certa. Mas eu não posso me libertar da minha mãe e soltar o meu filho se nos caso não houver vontade de mudar. Toda mudança tem um endereço certo. Quando mudo por alguém ou para fazer o que alguém quer, eu não estou mudando nada. Estou suprimindo a mim mesmo e essa supressão pode ser para sempre e viver intensamente a programação mental de outra pessoa Há inúmeras formas de mergulho em si mesmo mas não há fórmulas mágicas nem aquelas capazes de serem fabricadas em massa.

Mas quando você tomar o controle da sua mente pouco importará o que digam, pensem ou falem de você. Cada um tem que achar o próprio caminho. Todos devem aprender a meditar .

E o que é meditar? É penetrar, se atirar no fundo de si mesmo. A maioria não quer saber dessa conversa e não sabe o que perde pensando assim. O cérebro adora esses mergulhos e transmite essa experiência a todos as células. Fechar os olhos, numa posição confortável, em silêncio ou com uma música suave ou simplesmente sentado em um banco de um parque, no jardim da casa, na sacada do apartamento, dentro do carro no final da tarde, de frente para o sol.

Não precisa saber os mantras. Basta uma frase simples do tipo "vou mudar a minha vida", "sou feliz", "vou trabalhar a favor do meu ser universo", sou capaz" etc.

Cada um pode criar aquela frase em cima daquilo que mais precisa superar na vida. Fecha os olhos e repita a frase visualizando o Sol, amarelo, dourado, no horizonte e se colocando dentro daquela luz. Esse simples exercício é capaz de abrir a mente, desprogramar todos os laços do passado dentro do indivíduo, afastar os pensamentos indesejados, os tormentos mentais copiados e almejar a abertura de um novo tempo. É tudo muito simples e é por isso que no budismo quase sempre o mantra é uma frase. A prática constante, pelo menos uma vez por dia, modifica toda a estrutura cerebral e aos poucos o indivíduo começa a visualizar mais e mais o caminho de volta pra sí mesmo – de onde jamais deveria ter saído.

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